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Status已發表Published
Identidades e culturas em luta: a herança da negritude e a trajetória do cinema antilhês
ANA SALDANHA
2022-06
PublisherUniversidad Nacional Autónoma de México (UNAM)
Publication PlaceMexico
Conference Name9ª Conferencia Latinoamericana y Caribeña de Ciencias Sociales – Tramas de las desigualdades en América Latina y el Caribe. Saberes, luchas y transformaciones
Conference PlaceUniversidad Nacional Autónoma de México (UNAM) (Mexico)
Conference DateJune 7-10, 2022
CountryMexico
Abstract

Com o presente trabalho, procuraremos compreender o vínculo e diálogo que se estabelece entre o cinema antilhês e os movimentos societais antilheses e suas expressões teórias e socio-estéticas. Para tal, estabeleceremos um diálogo interdisciplinar entre a História, a Sociologia e o Cinema, procurando identificar o impacto socio-histórico do movimento da Negritude - e, mais recentemente, do movimento da crioulização - na linguagem cinematográfica antilhesa, a qual se afirma, na segunda metade do século XX, como um partícipe ativo quer na formação de imaginários sociais, quer na formação, consolidação e esclarecimento de uma consciência social crítica e de uma Memória histórica. Partindo do pressuposto de que o cinema permite a construção de novos espaços de comunicação e de novas formas de expressão artística - podendo ser, não apenas um produto, mas igualmente um reflexo societal de mudanças em curso, no seio de uma determinada comunidade -, o cinema permite a construção de modelos imaginários ou estético-ideológicos. O cinema pode, neste contexto, assumir-se como um veículo de ideologias e de determinados valores sociais, em particular em sociedades onde mutações profundas se encontrem em curso, uma vez que o cinema é um ato de comunicação cujos valores socioculturais se imiscuam no ato de compreensão e de interpretação de uma mensagem (Saldanha, 2018). Numa obra cinematográfica confluem elementos polissémicos - tanto internos, como externos ao argumento - num único produto, o que permite quer a formulação de diferentes sentidos e de diferentes interpretações (favorecendo e intensificando encontros e trocas inter ou intraculturais), quer diversificadas dinâmicas de encontro do Eu (espectador) com o Outro (plasmado no ecrã). Neste sentido, o cinema apresenta um potencial criativo e imaginativo potenciador da criação de emoções, as quais, aliás, fornecem ao espectador, não apenas a possibilidade de descodificar mensagens, mas igualmente a possibilidade de formular interpretações de ambientes, de sons e de estruturas sociolinguísticas e socioculturais.

Partimos do pressuposto de que o cinema, como já assinalava Walter Benjamin, em 1935, pode capturar o interesse de grandes massas. Com efeito, Walter Benjamin (2000) assinalava, então, que a câmara capta melhor os movimentos de massa do que o olho humano, sobretudo graças à sua capacidade de captar imagens em sobrevoo. Ainda que a difusão de imagens, na atualidade, se encontre vinculada a outros meios (como as plataformas digitais ou as redes sociais), o cinema perdura, contudo, uma manifestação artística de relevo, continuando a ser uma importante forma de arte em cujo material podemos identificar elementos socioculturais e estético-ideológicos de uma época, em particular graças à singularidade das características que envolvem a sua mediação estética.

O nosso trabalho centrar-se-á na vertente de resistência que caracteriza, há mais de meio século, parte importante da linguagem cinematográfica antilhesa, a qual deu voz a um processo sociohistórico que busca compreender o presente a partir da violência de um passado colonial.

Partindo dos trabalhos levados a cabo por Celso Prudente (2018, 2019), que afirma que as manifestações culturais dominantes colocaram as restantes manifestações “que lhe são estranhas e que por ela foram colonizadas” fora “do seu paradigma” (2018, p. 312), consideramos que o cinema antilhês é exterior ao paradigma dominante, produzido na metrópole francesa. Partimos, assim, do pressuposto teórico que considera que as manifestações artísticas não dominantes se encontram “na condição de minorias em relação ao seu poder hegemónico” (Prudente, 2018, p. 312), fato este que permite, por seu lado, que o cinema se possa assumir como um objeto onde se preserva uma Memória que o paradigma cultural dominante tenta(ra) secundarizar. O cinema pode, assim, servir de “importante instrumento de libertação das minorias” (Prudente, 2018, p. 312).

A Memória e resistência refletida, assinalada e descrita pelo cinema antilhês não pode, contudo, ser devidamente apreendida sem a devida compreensão e leitura de um processo socioideológico que ganhou forma, sobretudo, depois da segunda Guerra Mundial: o movimento da Negritude.

Sobre a importância da negritude na produção cinematográfica antilhesa e na conformação de um cinema, especificamente, antilhês, refere Osange Silou-Kieffer: “le mouvement de la négritude (...) nous a donné suffisamment de confiance en nous en ce que nous étions, nous a permis de forger une identité plus valorisante que celle qui se profilait auparavant” (Cinéma antillais, un cinéma en résistance, 2019). Este movimento teria, por sua vez, uma influência fecunda no contemporâneo movimento da crioulização, o qual marcaria, sobretudo, a mais jovem geração de cineastas antilheses.

Procuraremos, deste modo, aprofundar o diálogo interdisciplinar, fundamental para a compreensão de qualquer manifestação artística, buscando identificar e analisar as diferentes frentes de conhecimento e de expressão artística que deram voz aos movimentos e lutas que o Homem antilhês plasmou no ecrã.

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Pages(Published Abstract)
Language葡萄牙語Portuguese
Document TypeConference proceedings
CollectionDEPARTMENT OF PORTUGUESE
Recommended Citation
GB/T 7714
ANA SALDANHA. Identidades e culturas em luta: a herança da negritude e a trajetória do cinema antilhês[C]. Mexico:Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), 2022.
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